Se não tiver a fim de ler uma babaquice, pode desistir desse texto agora.
Tomei meu banho mais quente do mundo praguejando a casa e até a temperatura da água, chorando, delirando com os motivos do choro. A cama, a foto que ainda não tive coragem de tirar do lugar, o tapetinho, o chuveiro, a sala, as panelas... ai as panelas! A droga do presente, duas caixas enormes, o carinho com que eu fiz aquele laço chato. E era pra ele, o laço, que eu olhava quando a coisa acabou.
Me vesti, meio passada, sem combinar a lingerie quase como quem se livra de um mal. A intenção era descombinar minha dor da lembrança insistente de que ele às vezes dizia “eu gosto dessa”, e de que ele sabia o que eu usei na primeira vez que ele veio aqui.
De repente, em meio a cíclicas crises de choro, olho pra gaveta de pijamas aberta e lá está ela. Dobradinha e cheirosinha: minha camisola preferida. A mais confortável, macia, bonitinha... a camisola que levei na mala pro ultimo fim de semana em Maringá.
- Melancia, porque tem cor de melancia... vermelhinha assim.
- Mas eu não sou verde por fora e você não gosta de melancia.
É, ele não gosta de melancia.
Sabe, eu gosto dos dramas porque eles me fazem escrever. Acho que toda mulher gosta um pouco dos dramas por alguma razão. Algumas se entopem de chocolate, outras de calmantes, outras de cigarros... eu parei de fumar e sinto falta do cigarro e podia voltar agora, mas chega de burrices por hoje. Eu sou o tipo de mulher que não vê outra vantagem no sofrimento além da inspiração infinita. Acho que Deus foi legal comigo nesse aspecto... a ultima coisa que eu preciso é me entupir de comida. E com os remédios, já me dou bem demais pro meu gosto.
Pois bem, eu olhei pra camisola e continuei com os pensamentos esquisitos enquanto guardava os livros legais, porque também não me ajuda ficar lendo o que veio escrito a mão neles. E vi o outro livro. Melancia.
Ganhei o Melancia de uma amiga no início do ano. Um livro de mulherzinha, tipo Bridget Jones. Tentei ler duas ou três vezes, nunca passei da vigésima página. Dizem que é bom, mas o que sei dele é mesmo só o que li... Melancia é a narrativa de uma mulher que é abandonada pelo marido minutos depois de parir. Me identifico. Vou ler quando puder.
Nãããão, pelo amor de Deus! Não ouso comparar os dramas. Não era casada, acho que meu ex não tem outra e muito menos acabei de ter um filho e me encontro impossibilitada de dar meus pitís.
A semelhança ta mais na mistura das sensações escrotas de um fim súbito e meio absurdo, e é claro, no lance da melancia.
E se a história for verdade, tenho certeza que essa mulher é uma dessas que valoriza a inspiração do sofrimento. Haha...
Mas galere, minha enxaqueca me chama! Lá vou eu pro hospital me familiarizar um pouco mais com a personagem.
Ainda bem que to indo ver a exposição do Saint Laurent!!! Piadinha! (:
Quem lê até pensa que esse bom humor existe.
Quem LÊ mesmo, porque até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te perdi.
=/
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